Até ao ano passado, Carlos levantava-se às 6:30 da manhã, apanhava dois metros e chegava ao escritório depois de uma hora e quinze minutos. “Sentia-me sempre exausto, não tinha energia para nada”, confessa Carlos em entrevista ao Jornal Económico.
“Mudar para teletrabalho foi como respirar ar fresco depois de anos dentro de um túnel. Hoje acordo às 7:
30,
faço exercício,
estudo inglês e tenho mais paciência com a família.”
— Carlos Silva, designer gráfico, 28 anos
O caso de Carlos não isolado. Deacordo com dados da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), o teletrabalho cresceu 37% nos últimos dois anos em Portugal, envolvendo cerca de 800 mil trabalhadores. Porém, a transição nem sempre é fácil.
Contexto e desafios
Especialistas ouvidos pelo Jornal Económico destacam que o teletrabalho traz benefícios claros — redução de stress, mais autonomia e menos deslocações — mas também exige disciplina e isolamento pode ser problemático. “O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é fundamental”, afirma a psicóloga Mariana Costa, especialista em bem-estar laboral.
“Vejo muitos jovens a ganhar qualidade de vida com o teletrabalho, mas também atendo pessoas que se sentem sozinhas ou com dificuldade em separar o trabalho do descanso.”
— Dra. Mariana Costa, psicóloga organizacional
Carlos admite que no início teve dificuldades em criar uma rotina. “Às vezes trabalhava até tarde da noite, sem perceber. Depois percebi que precisava de pausas e de um escritório organizado”, conta. Hoje, faz pausas para o almoço com a namorada e termina o trabalho sempre às 18:00.
Vozes do mercado
Entrevistámos também Ana Ribeiro, gestora de RH numa startup tecnológica em Porto. Segundo Ana, “as empresas que adotaram modelos híbridos conseguiram reter mais talento jovem. Carlos é um exemplo disso — a empresa dele viu a produtividade subir 20% desde que implementou o teletrabalho”.
Carlos confirma que os resultados apareceram. “Entreguei projetos com maior criatividade e o meu chefe até me promoveu no mês”, diz com orgulho. A história de Carlos reflecte uma mudança geracional: os trabalhadores jovens exigem flexibilidade e as empresas adaptam-se ou perdem talento.
No final da entrevista, Carlos deixa um conselho para quem ainda hesita: “Se puderem, experimentem. Não é só sobre poupar tempo no metro, é sobre viver melhor.”